Babá que bate

Nesta semana a mídia reproduziu imagens de babá agredindo a criança para a qual era paga para atender com civilidade e carinho. Os pais precisarão de tempo para se recuperarem e a criança ainda mais: especialmente pela repercussão, deverá receber acompanhamento profissional adequado – torçamos por ela. A agência que intermediou a contratação cobrou honorário pequeno e o serviço resultou em qualidade menor ainda; segundo notícias, já havia até fechado as portas. A pseudo babá será punida na forma da lei, provavelmente, afinal, não é rica, famosa e nem parlamentar. Tenho vontade de bater nela mas não esqueço que ela tem apanhado da sociedade injusta que a condenou a uma vida de exclusão e carências materiais, emocionais e espirituais. Não a conheço, porém, um ser humano bem formado e resolvido não faria aquilo. Ou faria? Violência contra crianças é cometida mais pelos próprios pais e parentes, e menos pelo pessoal de creches ou babás; no entanto, repercute mais quando praticada pelas duas últimas.

Os meses seguintes a uma nova denúncia de maus tratos contra a criança, por parte da sua babá, resultam em queda nas solicitações dos serviços de agências que atuam só ou também nessa área. Empregadores esperam e exigem cada vez mais qualificação das babás, o que é aceitável. Moças e mulheres continuam achando que basta ser mulher e mãe para virar babá; insistem em achar que tudo não passa de um bico ou sub-emprego do qual se tem vergonha e vontade de abandonar na primeira chance.

Empregador(a) tem condição financeira para pagar salário legal e respeito para dar àquela que ajudará a cuidar do seu filho – muitas famílias enquadram-se nesse contexto; o(a)s demais são exploradore(a)s. Algumas moças e mulheres percebem que é profissão digna e necessária, a exigir qualificação e aperfeiçoamento permanente: quanto mais conscientes e interessadas, mais bem sucedidas e requisitadas – faltam candidatas adequadas e sobram vagas. A seleção de pessoal para a área doméstica impõe cuidados específicos e habilidades especiais, dependentes inseparavelmente do caráter do selecionador. Poucas agências oferecem este serviço, por motivos vários, sendo o mais louvável o bom senso da abstenção da oferta de serviço ruim. Das que oferecem o serviço, várias cometem os abusos tão comentados por aí: pessoas fora do perfil; sem paradeiro definido, verdadeiro, estável e aceitável; mancomunadas com a própria agência com vistas a tão somente ganhar dinheiro. É um serviço comercial, sim, porém, com fortíssima conotação social.

Não se podendo cuidar direta ou permanentemente, deixa-se o filho sob cuidados de parentes ou vizinhos, da creche ou de uma babá. As três opções podem dar certo ou errado; e mesmo dando certo, terão contratempos a serem contornados. Optando pela babá, tem-se o anúncio, a indicação, a agência e as três opções podem dar certo ou errado também. Agência é a opção mais cara, no ato, e mais barata no longo prazo, se for agência de verdade, séria, capaz e sensata: não vive a mudar de nome, proprietário, colaboradores, telefone, endereço, procedimentos; não está a toda hora denunciada no Procon; aparece nas páginas brancas das listas telefônicas – obrigatório, mesmo não tendo pago anúncio nas amarelas; não humilha, não discrimina candidatas e nem as obriga a conversões que firam sua dignidade. Agência séria também diz não aos clientes pilantras ou sem condições de contratar; e às vezes não satisfaz ótimo cliente por falta de boa candidata para apresentar-lhe: prefere perder o cliente do que enganá-lo no ato e perdê-lo depois, quando perceber ter sido tapeado. Muito mais se poderia dizer mas agência que é agência dá tratamento vip antes e depois de receber seu honorário, e mesmo que não o receba (como há caloteiros…), não perde a educação; e tem várias e verídicas referências a dar de si, quando cabível. Agências e assessorias idôneas e adequadas são excelentes servidores a aguardar candidatos e empregadores que também o sejam. Em todas as áreas mas especialmente na doméstica.

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 8 de outubro de 2006

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *