Aquele que serve

“O líder não manda, comanda” – Simon Franco, headhunter e consultor.

Líder é o chefe, comandante e orientador de um grupo na execução de tarefa determinada ou serviço regular. É o formador de opinião perante a comunidade da qual participa, mesmo que nem queira sê-lo. Destaca-se num imprevisto, por iniciativa própria, quando presente, ou é procurado para consulta e ação, pelos que já o reconhecem como tal, conscientemente ou não. Conduz seus liderados a vitórias contundentes, relativas ou parciais; e a derrotas, às vezes, inevitáveis, mas, não insuperáveis.

Ainda que nem pense a respeito e até busque esquivar-se, cedo ou tarde, o líder destaca-se perante os demais e assim é que, desde sempre, somos todos iguais, mas, definitivamente diferentes uns dos outros: muitos precisam ser liderados e alguns devem liderar. Ora lideram, ora são liderados. Uns lideram mais, outros menos. Em instâncias distintas e quanto mais se acentua o grau de dificuldade para o exercício do indispensável mister de liderar, menos se encontra líderes a altura da responsabilidade de persuadir, unir, mobilizar, conduzir e satisfazer grupos, multidões ou populações.

O líder tem convicção da impossibilidade da unanimidade; no entanto, tira da diversidade de opiniões e talentos a unidade que junta os interesses individuais, na sua essência, num propósito maior – o bem comum. E tem “lastro” para arcar com insatisfações e interesses nem sempre plausíveis.

Dentre suas outras aptidões inequívocas, o líder:

  • Sabe delegar: há coisas que ele não faz, mas sabe escolher o perito para cada ação. Seu talento está em administrar as emoções, interesses e atitudes dos seus liderados, obtendo o melhor de cada um, dando-lhes também a almejada contrapartida.
  • Sabe descobrir e moldar novos líderes. Não tem medo de concorrência. Ao contrário, sabe partilhar experiência e talento, multiplicando qualificações e resultados.
  • Reconhece o potencial e sucesso alheio, com humildade e sem inveja. Tem ambição de fazer bem e melhor, mas não a ganância e a inveja de derrubar outrem para aparecer.

– Tem suficiente conhecimento do trabalho e relaciona-se muito bem com a equipe: sabe que um desses dois pilares cai sem o outro.

  • Não serve para aparecer e desaparece enquanto serve (no que tange ao serviço ser maior que a vaidade). Especialmente por isso, faz-se notável, mesmo que não o queira ou perceba.

Os melhores líderes não o serão em qualquer circunstância, mas tendem a acertar mais quanto ao momento certo para dizer sim ou não. E de recomeçar, por ocasião de eventual erro.

Existe o pseudo líder: aquele que ocupa cargo ou função de liderança, mas não sabe liderar. Ter a função deveria pressupor ter a aptidão, nem sempre é o que ocorre e o resultado, se o propósito real corresponder ao que é divulgado, nem sempre é alcançado ou o é em parte.

Abrahan Lincoln disse: “Se quiser conhecer o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Assim, pois, desde as famílias, vizinhos, associações em geral, comunidades religiosas, condomínios, sindicatos, partidos político e governos: do verdadeiro caráter dos líderes dependerá serem suas gestões em prol dos representados, efetivamente; ou em prol dos egos e interesses verdadeiros, pouco ou nada dignos, de si próprios e seus apaniguados, mentores e parceiros. Cada caráter é posto a prova tanto mais surjam as dificuldades e tentações; cabe citar o Barão de Itararé: “O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.

Na era da comunicação, mais que antes, só lidera bem quem comunica bem. Do contrário, não se consegue realizar bons serviços ou deixam de beneficiar grupos maiores. De tal modo que, incontáveis vezes, especialmente, pseudo líderes ou a serviço de interesses escusos, bem comunicados e assessorados, suplantam outros, verdadeiros e bem intencionados, porém, pouco ou mal comunicados e assessorados. O dinheiro, ou a sua falta, muito contribui para o êxito, limitação ou fracasso de uns e outros.

Aquele cujo caráter corresponde ao que a moral e a ética determinam, que faça sempre o questionamento quanto ao seu próprio sentir, pensar e agir como líder permanente ou eventual. E questione sensata, atenta e permanentemente as lideranças a sua volta: da esfera familiar até as de amplitude mundial. Tome as atitudes mais cabíveis; por elas não passa o radicalismo e muito menos a omissão: não vivemos isolados, queiramos ou não, e, ademais, são muitos os pseudo líderes a nos empurrar o ônus das suas más gestões, ficando eles e os seus com o “bônus”.

Sejamos e apoiemos os líderes verdadeiros; é tarefa que nunca termina, mas nunca se pode parar – muito menos deixar de iniciar.

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 1 de junho de 2004

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *