Comportamento e etiqueta para o profissional adequado

Passamos a maior parte das nossas vidas trabalhando. Dentre outras práticas, destacam-se algumas que, de tão simplórias e elementares, você poderá dizer “que é um absurdo lê-las”; ou, “que são ridículas, afinal, os tempos são outros e as empresas se modernizaram e são mais tolerantes nos relacionamentos e comportamentos.” Empresas sérias e bem sucedidas são atuais e arrojadas, sim; por isso, dentro do conceito de modernidade está o excelente relacionamento interpessoal entre seus componentes, com moral e ética – que nunca saíram da vanguarda e estão em alta, mais do que nunca – apesar de toda a corrupção e falta de valores a marcar o comportamento de inúmeros governantes, políticos, empresários, empregados, chefes, líderes e cidadãos em geral. Até empregadores pilantras costumam preferir contratar empregados sérios. E lembre que o selecionador ou futuro chefe pode ser mais conservador ou menos tolerante que a empresa.

As sugestões a seguir somente excelentes pessoas e verdadeiros profissionais costumam praticá-las, sem perfeição, mas, em permanente processo de melhoramento no trabalho e na sua vida toda, natural e prazerosamente.

  • Assuntos pessoais ficam para depois do horário de trabalho e com os amigos.
  • Respeite a hora de trabalhar. Não é proibido um breve particular na hora do café ou do almoço; só não abuse.
  • Não se meta em conversa para a qual não foi chamado. Não seja fofoqueiro e fuja deles: fofocas geralmente são mentirosas e sempre covardes, pois, acontecem pelas costas. Quase sempre fazem estrago irreparável. E o fofoqueiro poderá ser a próxima vítima.
  • Não use termos chulos, vulgares – “saco”, “panaca”, “troço”; nem gírias – “tá ligado”.
  • Fora com as palavras preconceituosas – “negrice”, “baianada” – e piadas étnicas sobre português, negro, japonês, gaúcho etc.
  • Elimine frases feitas (clichês) – “ao nível de”, “alavancar as vendas”.
  • Não fale demais e sem noção do que fala. Nem fale só dum assunto sempre. Nem diga banalidades e tolices.
  • Não queira converter as pessoas para a doutrina que você segue, qual seja.
  • Não corte as falas dos outros nem os impeça de falar; não queira dominar as conversas.
  • Não se ache dono da razão em tudo, não seja teimoso, arrogante e presunçoso. Não pense que só o seu ponto de vista é o certo, que apenas você acerta e os outros erram. Tampouco fique dando exemplos só a respeito de si mesmo.
  • Conversando em grupo, não fale dirigindo-se somente a uma pessoa. Não se dirija a todas, ignorando uma especificamente. Nem tenha o olhar vago, distante das pessoas presentes.
  • Não fale muito alto, para que outros tenham que ouvir; principalmente, dando indiretas para que saibam quem são os destinatários, mesmo que seus nomes não sejam ditos.
  • Não elogie exageradamente; não dê cantadas, diretas ou não; não aja como criança ou engraçadinho; não seja confiado, simulando ser mais íntimo do que na verdade é; não fique pegando no braço, passando a mão, se esfregando e abraçando os outros.
  • Não cite gratuitamente palavras estrangeiras e nomes de autores e teorias só para dar a impressão de que é culto e moderno.
  • Não seja sempre do contra; mas não concorde com qualquer opinião e nem queira agradar sempre; muito menos se faça de vítima.
  • Não seja o campeão da desculpa para os seus erros.
  • Jamais espirre sem colocar um lenço ou pelo menos a mão na frente; nunca palite os dentes; evite bocejar; não deixe aberta a porta do banheiro, ao sair e ao entrar.
  • Conserve seu local de trabalho na mais perfeita ordem; e o dos outros também.

A quem faz o oposto destas dicas e outras, seguramente, falta educação, responsabilidade, cultura, equilíbrio emocional e um caráter melhor resolvido.

Namoro no trabalho pode acontecer, afinal, reúne pessoas com nível de instrução, cultura e interesses semelhantes. Algumas empresas liberam, outras o fazem com restrições e outras proíbem. Bem administrado, um relacionamento afetivo com alguém da mesma empresa pode ser maravilhoso; por outro lado, pode resultar, no mínimo, na demissão de um ou dos dois. Se ocorrer com você e a empresa permitir, ao menos:

  • Nada de beijos, abraços, apelidos e outras intimidades no horário de trabalho. Nem conversas com terceiros sobre o relacionamento.
  • Problemas particulares ficam para fora do local de trabalho.
  • Aquele que tiver posição superior na empresa, não se utilize disso para prejudicar ou beneficiar o parceiro.
  • Em caso de briga ou final do relacionamento, que não afete a sua produtividade, comportamento e relacionamento profissional com o antigo parceiro.

Relacionamento com o chefe: é necessário que o chefe também tenha comportamento adequado – seja capaz, educado, não chame a atenção de ninguém em público, não seja mal humorado, não misture problemas pessoais com profissionais etc.

  • Conquiste a confiança do seu chefe e faça-o dar crédito ao seu trabalho e comportamento. Mas não faça isso à custa de bajulação: por mais que você se beneficie durante algum tempo, cedo ou tarde poderá tornar-se o primeiro descartado.
  • Cumpra suas obrigações e alcance os objetivos definidos.
  • Se lançar ideias ou alternativas à questões corriqueiras ou imprevistas, faça-o na certeza de possuir solução melhor, com segurança e respeito. Críticas isoladamente são dispensáveis.
  • Tenha iniciativa, não espere ser mandado, faça o que você sabe que tem que ser feito; mas não seja insubordinado.
  • Comprometa-se com o trabalho: trabalhe na hora de trabalhar, sem preguiça, negligência e sem esperar, desde a manhã, o final do expediente.

Relacionamento com colegas de trabalho, fora do ambiente de trabalho. Tenha espaço para descontrair, mas, nunca esqueça: bom humor com seriedade e responsabilidade. Observar que festas costumam comemorar datas existentes, como, por exemplo, Ano Novo; recepções não têm essa característica, costumam ser mais formais  que as festas. Dicas gerais, para festas e recepções:

  • Se forem liberadas bebidas alcoólicas, não abuse ou não beba.
  • Equilíbrio no vestuário: nem tão formal, nem tão à vontade.
  • Não leve convidado seu, mas, não que não é dos responsáveis pelo evento.

Reuniões:

  • Pontualidade absoluta.
  • Vestuário adequado é mais notável nessas ocasiões.
  • Boa postura.
  • Sem conversas paralelas – é desrespeito para com quem fala e uma das mais cabais demonstrações do seu verdadeiro interesse…
  • Celular desligado, antes de entrar na reunião.

Almoço ou jantar de negócios:

  • Escolha comida fácil de comer, evite as que espirram molho e tenham que ser pegas com as mãos.
  • Não apoio os cotovelos sobre a mesa; apenas os punhos.
  • Se derrubar um talher no chão, deixe-o lá; peça outro.
  • Se derramar bebida ou alimento, aja com tranquilidade e chame o garçom.
  • Se engasgar, peça licença e vá ao toalete. Tenha lenço disponível caso precise tossir, espirrar etc.; melhor também ir ao toalete, se der tempo.
  • Jamais use palitos de dentes; é anti-higiênico e desagradável.
  • Coloque pequenos pedaços ou porções na boca, caso seja inevitável continuar a conversa.
  • Inicie a conversa com assuntos genéricos e evite os pessoais. Ganhe a confiança do outro e aí entre no assunto ou espere que seu companheiro o faça. Melhor que seja durante a sobremesa ou o café.
  • Evite as bebidas alcoólicas.
  • A etiqueta determina que aceite vinho, se o evento oferecer, mesmo que não beba – consuma água, no caso; melhor que não peça suco ou refrigerante, pois, pode dar a impressão que você não aprovou o cardápio escolhido.
  • Quem convida comanda a mesa, não deixando faltar nada, e paga a conta, mesmo que seja uma mulher convidando um homem – como esta situação pode ser embaraçosa, combine antes com o gerente.
  • Se houver oportunidade, escove os dentes após a refeição e use antisséptico bucal; mal hálito e sujeira nos dentes é extremamente desagradável.

O seu Cartão Profissional deve indicar a profissão, função, telefone, e-mail, endereço comercial e cargo.  Se você estiver desempregado, se possível, conserve o seu cartão, ajustando as informações nele contidas. O cartão profissional, que muitos chamam cartão de visitas, projeta a sua imagem e sua atividade, é sinal de autoestima, demonstra organização e, lógico, facilita contatos.

  • Seu cartão deve ter facilitada a leitura de quem o recebe.
  • Se você receber o cartão de alguém, coloque-o no bolso da camisa ou num porta-cartões; e nunca escreva na frente do cartão: caso seja inevitável, faça-o no verso.
  • A troca de cartões se dá no início das reuniões.
  • Não se usa mais dobrar uma pontinha do cartão.

O aperto de mão é um gesto tradicional e simbólico de satisfação. Fazê-lo com mão mole ou com as pontas dos dedos demonstra insegurança ou desinteresse; e apertar com exagero é grosseiro. Faça-o com firmeza, no máximo uns cinco segundos e sua outra mão jamais deve estar no bolso. Não aperte a mão quando a outra pessoa:

  • Estiver comendo ou bebendo.
  • Enferma – em visita a hospital ou sua casa.
  • Quando você chegar a um local onde várias pessoas já estão presentes – opte por cumprimentar a(s) mais próxima(s) e as demais, ou todas, com um sorriso discreto e um olá geral, conforme cada ocasião e grupo.

A etiqueta diz que a pessoa menos importante seja apresentada para a pessoa social ou profissionalmente mais importante. O grau de importância está vinculado primeiro à idade – apresenta-se o mais velho ao mais novo – depois ao cargo e ao sexo; o feminino é mais importante que o masculino. A mulher deve estender sua mão, salvo se um homem for autoridade: ele o fará, pois ao superior cabe estender a mão.

O beijo na face é forma carinhosa de cumprimento e até dispensa o aperto de mão, mas, evite-o em cerimônias, ambientes públicos e formais. Se, porventura, alguém lhe de der um beijo na face, não recuse.  Em ambientes menos formais e numa reunião de amigos, beijos são liberados. Beijo na mão não é proibido nem feio; mas está em desuso, sendo apreciado pelas pessoas mais idosas e bem formais.

Quando você deve levantar-se?

A mulher deve levantar-se apenas para autoridades, idosos ou Cardeias; se, no entanto, levantar, não está ferindo a etiqueta. Se ela for anfitriã deve levantar-se para receber os convidados.

O homem deve sempre levantar-se quando à mesa estiver uma mulher e ela for ao toalete; basta desencostar às costas da cadeira – quando ela retornar também. E levanta-se sempre para ser apresentado a uma mulher ou um homem mais velho.

Encontro onde um não se lembra do outro.

Você encontrou alguém e não lembra quem é, mas, a conversa acontece normalmente, da parte da outra pessoa. Mantenha a calma, tente que os assuntos façam-no lembrar. Em último caso, seja sincero. Se for a outra pessoa que não se lembra de você, diga logo seu nome. Além da franqueza, bom humor com moderação pode ajudar.

O telefone é maravilho, mas, usá-lo com exagero resultará em despesa elevada e em sinal de desrespeito e comportamento reprovável.

  • Não faça telefonemas nos horários de refeições – salvo se autorizado ou combinado antes. Nem ligue antes de dez e após vinte e duas horas, afora o combinado antes.
  • Não ligue para a casa de uma pessoa com quem você tem relação profissional; salvo for autorizado.
  • Pergunte se a pessoa para a qual você ligou tem tempo para conversar; só não abuse.
  • Quem liga toma a iniciativa de encerrar a conversa; se quem recebe a ligação é o chefe, este pode tomar a iniciativa de desligar.
  • Ao receber telefonema, permita primeiro que a pessoa exponha o motivo da ligação.
  • Seja claro quando deixar recados na secretária eletrônica – e deixe nome e telefone, no mínimo; de preferência, nome completo e horário da ligação.
  • Retorne os recados deixados na sua secretária eletrônica; só desista após tentar algumas vezes e não conseguir.
  • Não demore ao telefone, impedindo que outro o use.
  • Quando alguém falar ao telefone perto de você, afaste-se; se ouvir a conversa, não faça comentários.

Se for celular:

  • Evite toques com hinos de times de futebol.
  • Não pegue celular emprestado para não arriscar-se a indiscrições, mesmo involuntárias.
  • Seja discreto, não falando em público – afasta-se dos outros tanto quanto seja possível; evite, por exemplo, falar em elevadores. Principalmente, se for necessário falar alto demais, gritando até.
  • Em reuniões, salas de aula, igrejas, consultórios etc.: celular desligado. Em ambiente de trabalho, conforme normas da empresa – principalmente, se não for para uso em serviço.
  • Celular com câmera não deve ser usado à vontade e em qualquer lugar e ocasião.

E-mail é absolutamente fantástico meio de comunicação, só não deve eliminar a comunicação interpessoal.

  • Não substitua os telefonemas por e-mail, indistintamente.
  • Não fale demais, não fique à vontade para dizer o que talvez não fosse dito pessoalmente ou ao telefone. Leia o texto antes de enviá-lo; sem emoção, tom de voz e expressão do rosto, arrisca-se a ter uma interpretação diferente da real intenção de quem o escreveu.
  • Não entre no modismo da chamada “gramática virtual” – vc, tbém, bj. Se usar siglas, identifique ou explique. Evite termos em outro idioma.
  • Não seja extenso: e-mail pressupõe imediatismo e rapidez na comunicação.
  • Não fale de intimidades.

São dicas gerais de etiqueta e comportamento; algumas repetidas noutros artigos e muitas outras seriam possíveis. Com flexibilidade e sensatez, incorpore-as ao seu pensar e agir. Lembre-se: quanto mais o fizer, mais você e os outros notarão a sua evolução.

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 20 de julho de 2005

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