Experiência anterior, comprovada e registrada

Toda vez que preciso elaborar e divulgar relação com vagas de trabalho cujo preenchimento está sob meus préstimos profissionais, atento para não acrescentar aos possíveis erros a redundância de exigir “experiência anterior.”

Apesar de comum, é redundância cuja eliminação deve ser gradativamente almejada, trabalhada e alcançada. Assim como, por exemplo, “descer para baixo”, “sair para fora” e várias outras que, ao menor descuido, podem vitimar pessoas com conteúdo marcante e capazes de comunicar com qualidade.

Se um posto de trabalho por preencher exige experiência, defina-se e divulgue-se com clareza qual e com que intensidade. E, por óbvio, não se escreva ou fale que há de ser anterior, posto que, posterior ou futura é que não o será!…

Do que falei quase ninguém fala ou percebe e nem tampouco se importa. O que lamento: pequeninos aprendizados a melhorar gradativamente os mais simples hábitos são capazes de construir gradativa e constantemente pessoas mais interessantes.

Já as expressões “experiência anterior comprovada” ou “experiência comprovada” podem suscitar acalorados embates entre candidatos interessados num posto de trabalho e os selecionadores de pessoal ou empregadores. Se há a exigência de determinada, exata ou aproximada experiência por parte de candidato interessado em dada vaga de trabalho, também a palavra “comprovada” é totalmente dispensável. Assim como a comprovação da experiência é indispensável e questionar isso é suficiente para perder o interesse no candidato que se dizia e parecia ser qualificado.

Verificar, comprovar e avaliar experiência de candidato a posto de trabalho não é a única parte de um processo seletivo. E, ainda que a comprovação da experiência resulte em certezas e verdades altamente positivas, as mesmas não garantem adequação ao posto de trabalho: qualificação e adequação rimam, mas, não são sinônimos. Qualificação, por vezes, pode aparecer em níveis para além do que o contratante quer ou pode ter, ou, ser intensa n’alguns aspectos e não tanto n’algum ponto fundamental para aquela empresa, naquele momento…

A exigência de experiência comprovada via registros em Carteira de Trabalho, se levada aos rigores que não permitem exceções, pode promover injustiças e desperdícios para com a empresa que poderá perder o acréscimo de um colaborador interessante, marcante e até notável e diferenciado; e para com o candidato que é tão qualificado e adequado quanto a necessidade do contratante, porém, foi descartado, só porque não tinha os benditos registros em Carteira…

Ainda são milhões os excelentes profissionais que não tiveram ou não têm algumas ou todas as suas experiências registradas em Carteira de Trabalho. Sempre que posso, tento sensibilizar empregador a fazer concessão e abrir mão da exigência de experiência registrada: se o candidato tem características, pretensões e qualificações que convergem para a adequação ao posto de trabalho ora aberto, então, a falta de registro em carteira tende a ser insignificante. E a falta do registro se resolve assim: contrata-se o candidato e aplica-se o registro em sua Carteira de Trabalho!

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 14 de março de 2014

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