Prosa

Durante processos seletivos, incontáveis candidatos aos postos de trabalho pedem orientações que os ajudem a melhorar ou gostariam de conversar demoradamente, até sobre outros assuntos. Meu modo de ser facilita a que muita gente assim faça ou queira fazer.

Simpatizante de uma boa prosa, avanço além duma tratativa curta, seca e fria. Que a prosa distraia, divirta e resulte em partilha de aprendizado, seja o interlocutor mais ou menos culto, instruído e preparado que eu: não tenho preconceitos para com os mais simples e necessitados de uma palavra, dica, motivação sincera, ou, no mínimo, um silêncio atencioso. Enquanto ensino e ajudo, aprendo e sou ajudado.

Resultado do hábito de ser autêntico, o que periga ser ou parecer ser grosseria, alcançado o limite do tempo eventualmente disponível, digo que preciso prosseguir as tarefas profissionais até concluir os processos seletivos em andamento; afinal, é isto que meus clientes esperam ao me contratar.

Entretanto, nem todos entendem e há os que acham que não sou profissional ou educado por não lhes dedicar atenção plena enquanto queiram e na hora que querem. Não percebem que denunciam possuir qualificação aquém da que escrevem e dizem possuir: obtusos, não enxergam além dos seus umbigos. Empatia é algo que passa ao largo do seu saber, sentir e fazer.

Em contrapartida, outros, mesmo querendo e notando que também quero satisfazer a natural vontade de estender a agradável prosa, retiram-se, para que cada um continue o curso do seu dia, tarefas, necessidades e propósitos. Oportunamente, virá ocasião para outras agradáveis prosas: “tudo tem seu tempo e sua hora”. Naturalmente demonstram correspondência à qualidade que escrevem e dizem possuir; por vezes, clarificam que são, além de qualificados, diferenciados ou notáveis.

Desta aparentemente banal situação pela qual passo desde o início da carreira é que fui aproveitando o apreço por ler e escrever, e comecei a preparar artigos para impressos a colocar no edital em frente ao escritório. Vieram as apostilas, pedidos de artigos para jornais, sites e revistas, entrevistas, palestras, cursos, treinamentos, programas em rádio etc.

Geralmente, os candidatos menos qualificados e ou mais equivocados são os que ignoram e desprezam as atividades de cunho formativo. Querem a prosa na hora e do jeito deles, mais para distração, diversão e não percebida alienação; menos para informação, formação e evolução: na hora e local possíveis e sugeridos não irão às palestras e cursos oferecidos, não lerão os artigos em jornais e sites e não ouvirão os programas em rádio que lhes forem indicados – ou, logo desistirão ou não terão aproveitamento razoável.

Este comportamento comum, paupérrimo, previsível e invencível apequena também as relações e resultados das atividades religiosas, condominiais, sindicais, familiares…

Enquanto tento não esquecer que também continuo insuperavelmente necessitado de aprender e evoluir, além da sujeição ao erro e à dúvida, comemoro cada exceção que foge à regra e descobre o prazer e a utilidade de começar a deixar de ser apenas mais um. É daí que tiro a motivação para compartilhar o pouco do pouco que sei, e a esperança de encontrar pessoas receptivas aos artigos, jornais, apostilas, palestras, programas em rádio e boas prosas, tudo ao seu tempo, hora e lugar.

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 16 de novembro de 2012

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