Boa aparência: ilegal, imoral ou fundamental?

Durante uma entrevista de emprego ou em qualquer ocasião?

Nem sempre é possível saber com exatidão se alguém está sendo privilegiado ou descartado por causa da sua aparência; e se os critérios são discriminatórios ou justificáveis, ainda que eventualmente  questionáveis. PRECISAMOS ESTAR ATENTOS AOS NOSSOS PRÓPRIOS CRITÉRIOS, posto que, no cotidiano, avaliamos e escolhemos “coisas” e pessoas também pela aparência. Ou não?

O currículo é seu cartão de visitas e sua aparência… também! Se você tiver a oportunidade de “vender seu peixe” e cometer erros primários, a imagem e até o julgamento que farão de você terá a exata medida do seu desempenho. Claro, você poderá tentar reconstruir sua imagem numa segunda chance. Só que ela nem sempre acontecerá e se acontecer não existirá garantia do resultado.

Pessoas tidas segundo o senso comum como bonitas e atraentes podem ter certa vantagem, não somente em comerciais, capas de revistas, telenovelas etc, mas, também, no mercado de trabalho em geral, por vezes, com salários e oportunidades melhores. Afirmação que pode polemizar, nem todos que concordam e até contribuem para que assim seja teriam coragem de admitir. Seja como for, só beleza física e boa aparência (limitada ao que se e  percebe do corpo, vestuário, acessórios, perfumes etc) dificilmente é suficiente.

Para ter boa aparência, boa imagem ou boa apresentação (esta expressão aqui entendida como muito mais abrangente) é preciso saber se cuidar e ser adequado. Primeiro, você precisa ser agradável e marcante, com a boca fechada. Depois, com sua conversa, conhecimento, coerência, segurança e educação.

Algumas sugestões:

  • Peça, regularmente, a pessoas de sua confiança, comentários sobre suas argumentações, ações e aparência.
  • Com humildade e segurança, deixe que suas qualidades sejam notadas pelos outros.
  • Não vencer todos os seus limites e defeitos é inevitável. Ser vencido por eles é inaceitável: procure o equilíbrio.
  • Aprenda com o comportamento alheio. Não inveje pessoas bem sucedidas: tome as qualidades delas como exemplo e apoio para seu próprio aprimoramento (não queira simplesmente imitar).
  • Aprenda a escutar (que não é somente calar).
  • Habitue-se a ler com prazer, regularidade, variedade, atenção, respeito e aproveitamento.
  • Aprenda a falar: não alto (nervosismo, excitação e falta de educação), nem baixo (insegurança).
  • Gírias, palavrões e pronúncia errada? É preciso dizer algo?
  • Qual seja o assunto, privilegie os pontos positivos e não os negativos (seus e dos outros). Quem quer contratar um chato pessimista?
  • Não fique longe; porém, não se aproxime demais do interlocutor, não pegue no braço, no ombro, não se debruce sobre a mesa, não pegue objetos etc (isso é falta de educação e sobra de ansiedade).
  • Não sente com pasta ou bolsa no colo. Coloque numa cadeira ao lado (a pasta ao chão, caso não tenha opção).
  • Olhe nos olhos ao falar e ao cumprimentar; o aperto de mão deve ser firme.
  • Não se humilhe, não lamente, não chore e não desabafe: não diante de quem poderá lhe empregar ou ajudar a chegar lá (o resultado quase sempre é desastroso).
  • Sempre diga seu nome: seu marketing número um e indispensável.
  • Bom dia, com licença, por favor, obrigado, desculpe etc, são palavrinhas mágicas e indispensáveis.
  • Caminhar com determinação, cabeça alinhada à frente. Sentar-se ereto e ao fundo da poltrona ou cadeira. Isto demonstra segurança.
  • Saber esperar e seguir orientações antes, durante e após entrevistas ou outros procedimentos.
  • Não gesticular demais.
  • Expressões faciais compatíveis com o assunto, sem exagero.
  • Nunca interromper o interlocutor: aguardar seu momento de falar e interagir.
  • Não seja fofoqueiro, não critique empregos e colegas anteriores. E tenha justificativas plausíveis para as suas saídas.
  • Não seja prolixo (longo). Fale do que sabe, com convicção; e não minta, qual seja a resposta a dar. Jamais se contradiga.
  • Não fale do salário: espere que a outra parte toque no assunto (em geral, as partes já têm a base).
  • Não exagere no perfume.
  • Não fume e não consuma bebida alcóolica, mesmo que seja permitido.
  • Balas, cicletes etc durante entrevista? Nunca arrisque!
  • Aprenda a estar de bom humor (nem sempre é fácil e faz muito bem).
  • Barba, cabelo, unhas, dentes, maquiagem: impecáveis, sem exagero.
  • Roupas adequadas a cada local e compromisso: discretas e em cores harmoniosas. Gravata alinhada e com nó bem feito. Saia curta e justa, roupa transparente, nem pensar.
  • Pontualidade absoluta.
  • Palavra: cumpra o que combinar, faça a tarefa que assumir e preste conta do que lhe couber.
  • Resposta a todos os comunicados recebidos.
  • Caneta, agenda, cartão profissional e currículo (na “ponta da língua”) sempre disponíveis.
  • Pense primeiro; fale ou cale depois.
  • Prepare-se e não tenha discurso pronto; cada entrevista é diferente da outra.
  • Deixe claro que gosta e sabe trabalhar em equipe – individualistas raramente são apreciáveis – e, de preferência, seja sincero nesta afirmação.

Falando com o corpo

Tanto quanto as palavras, sua postura, seus gestos, expressões faciais, roupas e acessórios falam muito sobre como você é. É que se chama “linguagem do corpo”. Se você está triste o semblante fica apático, os olhos perdem o brilho e o corpo fica curvado. Se você está feliz fica mais vivo, a pele mais corada, a postura altiva, o andar mais firme e a voz segura. Ora, não dá para fazer de conta. Se você está bem, seu corpo o diz antes mesmo que você comece a falar; e isso afeta até mesmo os melhores atores. Então, o segredo é estar bem consigo mesmo; ainda que fique ansioso e nervoso durante uma entrevista de emprego.

Use bom senso para o máximo aproveitamento destas sugestões. Note que não se falou de cursos, especializações, seus respectivos certificados e títulos, que são, claro, de fundamental importância. Acontece que antes e independentemente deles, você pode (e deve) fazer muito: falta de tempo, dinheiro e certificados podem atrapalhar, mas, não impedem ninguém de se aperfeiçoar.

A medida real e exata do seu aprimoramento é determinada conforme você incorpore estes valores e práticas ao seu dia a dia, não porque quer um emprego, mas, por perceber o quanto isto lhe faz bem. As pessoas que o cercam e o mercado (mais cedo ou mais tarde) avaliam você pelo que é e não pelo que faz de conta ser…

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 20 de novembro de 2005

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