Inexperiência não é doença e tem cura

“Como eles exigem experiência, se não dão uma chance pra gente?” Esta é queixa comum dos desempregados, principalmente, mais jovens. O desafio de conquistar seu espaço costuma ser difícil, demorar demais e o resultado nem sempre é o desejado e sim o possível – mesmo para as pessoas mais experientes.

O empregador contrata para solucionar o seu problema e não o problema do desempregado. Essa é a lógica do mercado de trabalho. Assim, dos inexperientes aos extremamente experientes e qualificados, todos podem oscilar entre serem preferenciais e convenientes ou desinteressantes e inconvenientes. É cruel? A resposta pode ser afirmativa para desempregados e empregadores. Em geral, aos dois lados sobram argumentos razoáveis.

E você, no seu próprio cotidiano, o que costuma sentir, dizer e fazer quando observa a ação de um profissional iniciante, cujo resultado não lhe agrada? Ou quando percebe que um deles é que poderá servir você: segurança, sempre? Preconceito, nunca? Intolerância eventual ou imediata? Além das ações de governos e empresas, nós, enquanto cidadãos, devemos cuidar para não ajudarmos a disseminar, com atos e preconceitos, uma cultura de má vontade contra os inexperientes.

INEXPERIÊNCIA SÓ É PROBLEMA DEFINITIVO PARA QUEM NÃO DESENVOLVE NENHUMA QUALIDADE.

Por outro lado, quanto mais a pessoa desenvolva suas potencialidades e se qualifique, mais ficará exposta a oportunidades que poderão resultar na sua inclusão no mercado de trabalho. Cada vez mais empresas se desinteressam pelos empregados que saibam fazer somente uma tarefa; os chamados adestrados. Preferem o que alguns chamam de educados: abertos a continuar aprendendo permanentemente; de fato, empresa moderna e vencedora funciona como escola para os seus colaboradores. Também quanto a inexperientes, o selecionador e o empregador vão escolher aqueles com o maior nível de conhecimentos, qualificações e potencial. Se você não está empregado, tem tempo e obrigação de qualificar-se, tanto ou mais que os outros: algo sempre dá para fazer, até sem dinheiro, mas, sem preguiça.

Uma premissa marcante e em ascensão, pouco percebida, é que muitos selecionadores e empresas, embora não abram mão dos quesitos já conhecidos (cursos, certificados, especializações, idiomas etc.), procuram em primeiro lugar o bom caráter no seu futuro empregado. Dá para aprimorar, por exemplo, a informática de quem tenha caráter bem resolvido; porém, se for ótimo em informática e tiver caráter problemático… Considere que muitas das qualidades procuradas num candidato a emprego ele já as poderia possuir normalmente, enquanto cidadão, estudante, marido, esposa, vizinho etc.

SEU CARÁTER É NOTÁVEL POR QUALQUER PESSOA A SUA VOLTA, não adianta representar, pois, enganará alguém por um tempo ou de vez em quando; e a somente você mesmo, permanentemente…

QUALIFICAÇÃO PESSOAL ANTECEDE A QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: com a primeira, você consegue a segunda; sem a primeira, não existirá a segunda.

Este texto não é exclusivo para inexperientes, porém, lhes poderá servir especialmente, para que desde cedo possam aprender a vencer. Não se espelhe nas exceções que “vencem” sem esforço ou o fazem com recurso escuso. Prepare-se para ser a exceção que vence com esforço e mérito.

Pense a respeito. Se concordar com esta ideia, tente desenvolvê-la, na prática, com sabedoria e coragem. Seu único risco será surpreender-se com os resultados e nunca mais parar, mesmo quando já não for inexperiente…

José Carlos de Oliveira

Publicado originalmente em 9 de setembro de 2004

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