“Graças a Deus!”

Meu pai desde jovem não era dado a dizer palavrões e quanto mais avançava em idade mais esta característica se acentuava. Desde jovem era dado a orações e conforme a idade avançava mais orações fazia.

Dentre as sequelas do seu primeiro AVC, então com pouco menos de 60 anos, destacava-se a perda da memória curta ou imediata, somada com sua ingenuidade, aceitação da brevidade e da beleza da vida com um bom humor irretocável, transformando-o num homem ainda mais amável e respeitável, além de folclórico e caricato. Outra “sequela” passou a ser uma expressão chula, grosseira, anteriormente inexistente ou rara e acidental no seu vocabulário, repetida dúzias de vezes ao dia, todos os dias, mesmo nas ocasiões mais inadequadas e propícias a grandes constrangimentos que ele jamais percebia ou dava de ombros. Continue lendo ““Graças a Deus!””

Não é só o papel que aceita tudo!

Num dos grupos de WhatsApp dos quais participo postaram uma das mais compartilhadas falácias das redes sociais, aquela que afirma que na câmara dos deputados acabaram com o 13º salário, seguida da relação com os nomes dos infames que teriam suprimido este direito trabalhista. Quem postou pediu que eu falasse algo no grupo e aqui. Com a licença dos que estão além da capacidade de alcance dessas falácias, atendo ao pedido da amiga. Continue lendo “Não é só o papel que aceita tudo!”

Morno a frio

Não escrevi na primeira pessoa do singular para me exibir e nem para ofender. Falei um pouco do que acontece comigo para que você se inspire a fazer uma honesta reflexão do que tem acontecido consigo. É Natal, ocasião propícia para nascer uma pessoa nova e melhor: cada um, quem quiser…

Aos trinta e três anos de idade comecei a dizer sim para Ele, não mais do modo morno com o qual muitos dos seus mais fiéis seguidores fazem e eu fazia: passei a aceitar o modo quente. Fui percebendo gradativamente, nada foi imediato e tampouco aceitei mansamente… Continue lendo “Morno a frio”

Morno a quente

Há alguns anos, ao final de palestra que não lembro onde, o que e para quem, ao encerrá-la, tive vontade de compartilhar uma reflexão que nunca contara a ninguém e que me aplicava – e aplico e me inquieto – cada vez que sinto estar entre ‘morno’ a ‘frio’. Tem conotação religiosa, porém, basta ao leitor, crente ou não em que há algo além da vida terrena, adaptar e refletir se, ainda que possua os predicados que seu currículo, discursos e certificados indicam, não haveria algo mais a descobrir, desenvolver, oferecer, aplicar etc… Continue lendo “Morno a quente”

Relação de vagas não é cardápio

Num restaurante, cardápio em mãos, você pode escolher o que quer comer e beber, bastando querer e poder pagar por isso. Se for mal atendido, deve reclamar com firmeza, mas sem perder a razão e a civilidade; do contrário, será vítima, mas, revelará falta de preparo pessoal: como tal será reconhecido e avaliado.

Relação de vagas de emprego não é cardápio. O empregador ou a agência as divulga e espera ser procurado por candidatos interessados. Em alguma etapa do processo seletivo o candidato poderá ser descartado, o que nem sempre significa que ele seja desqualificado ou a vaga ruim. Continue lendo “Relação de vagas não é cardápio”

Prosa

Durante processos seletivos, incontáveis candidatos aos postos de trabalho pedem orientações que os ajudem a melhorar ou gostariam de conversar demoradamente, até sobre outros assuntos. Meu modo de ser facilita a que muita gente assim faça ou queira fazer.

Simpatizante de uma boa prosa, avanço além duma tratativa curta, seca e fria. Que a prosa distraia, divirta e resulte em partilha de aprendizado, seja o interlocutor mais ou menos culto, instruído e preparado que eu: não tenho preconceitos para com os mais simples e necessitados de uma palavra, dica, motivação sincera, ou, no mínimo, um silêncio atencioso. Enquanto ensino e ajudo, aprendo e sou ajudado. Continue lendo “Prosa”

Fé e cidadania

“É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem” (frase de São Alberto Hurtado SJ), lembrando o convite de São Paulo a não entristecermos o Espírito Santo, com o qual fomos marcados por Deus no dia de nosso Batismo.

“Mas eu me pergunto: como se entristece o Espírito Santo? Todos nós o recebemos no Batismo e na Crisma, portanto, para não entristecer o Espírito Santo, é necessário viver de uma maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma. De maneira coerente, não com hipocrisia… O cristão não pode ser hipócrita: ele deve viver de maneira coerente. As promessas do Batismo têm dois aspectos: renúncia do mal e adesão ao bem”. Continue lendo “Fé e cidadania”

Experiência anterior, comprovada e registrada

Toda vez que preciso elaborar e divulgar relação com vagas de trabalho cujo preenchimento está sob meus préstimos profissionais, atento para não acrescentar aos possíveis erros a redundância de exigir “experiência anterior.”

Apesar de comum, é redundância cuja eliminação deve ser gradativamente almejada, trabalhada e alcançada. Assim como, por exemplo, “descer para baixo”, “sair para fora” e várias outras que, ao menor descuido, podem vitimar pessoas com conteúdo marcante e capazes de comunicar com qualidade. Continue lendo “Experiência anterior, comprovada e registrada”

Cuidado com o engodo do diploma

Jornais, cartazes, rádios, televisões, outdoors e panfletos cada vez mais divulgam curso para tudo quanto é coisa. Insistem na importância da qualificação e até garantem emprego aos melhores alunos, o que pode ser verdade, mas, cada vez mais consiste em proposital exagero da propaganda, para suscitar maior interesse. Sempre separar joio do trigo: existem cursos e cursos. O que todos os cursos podem garantir é o lucro do dono do curso: financeiro ou político (não apenas partidário). O que todos os cursos podem garantir é o acréscimo de conhecimento, mesmo os cursos mais fracos, dependendo do empenho de cada aluno. Nenhum curso é milagreiro: se o aluno não se interessar e esforçar, desistirá ou obterá o diploma e será apenas mais um formando. Continue lendo “Cuidado com o engodo do diploma”